OLÁ AMIGOS.
MUITOS ME QUESTIONAM POR QUE ESTOU AFASTADO E TAL.... DA ENTIDADE NACIONAL DE TAEKWONDO...
PARA RESPONDER A TODOS, COLOCO HOJE AQUI UMA CARTA ABERTA...
ABS
Grão-mestre Fabio Goulart.
Onde está o futuro do Taekwondo brasileiro?
Olá pessoal!
Longe da politicagem do taekwondo há mais de um ano, graças ao bom Deus, neste tempo pude refletir e analisar bastante sobre tudo, inclusive constituí uma família e ganhei o maior prêmio que qualquer homem pode ganhar na vida, minha linda filha. Hoje estou muito mais feliz como também vivendo intensamente este grande momento da minha vida.
Porém, não poderia deixar de comentar alguns fatos que vêm acontecendo sobre o Taekwondo brasileiro e, principalmente, sobre os atletas da seleção brasileira júnior, já que envolveu atletas da nossa equipe de Santos, sendo que uma atleta convocada foi cortada, assim como outros.
1.Gostaria muito de saber qual foi o critério que a CBTKD usou para cortar os atletas.
Outra coisa que eu gostaria de saber:
- Por que não houve nenhuma divulgação anterior ou comunicação no site da entidade?
Depois de a Cbtkd enviar e-mails (no dia 31 de março) para os atletas dizendo que não iriam representar o Brasil no 9º Campeonato Mundial no Egito, no dia seguinte voltaram atrás e formaram uma equipe e nessa equipe, dois atletas de Santos foram apenas porque pagaram suas passagens. E outra foi cortada. Por que ?
Não sou contra cortes por questões técnicas ou financeiras, pois tudo depende de como foi planejada a viagem e a equipe, porém, ninguém disse nada, simplesmente escolheram alguns atletas e ponto final.
Quando fui Diretor Técnico, lembro que colocava critérios para tudo, mesmo que não agradassem a todos (e às vezes nem a mim mesmo) e mesmo que no ano seguinte os mudasse, por achar que não deram tão certo, mas pelo menos havia e todos participavam enviando opiniões por e-mails ou mesmo nos Congressos Técnicos antes das competições.
2.A falta de organização na preparação da equipe júnior para a viagem do mundial é a principal responsável, na minha opinião, pelo mau resultado da equipe.
Atleta sem saber se ia ou não, se pagava ou não a passagem (e isso aconteceu com os dois atletas de Santos) e muitos outros problemas acabaram por influenciar diretamente na performance dos atletas, pois ficaram abalados emocionalmente e consequentemente a parte técnica não funcionou.
Não tenho receio em receber críticas, pois fui coordenador da seleção júnior de 2002 a 2010, em 2001 já haviam me chamado para o cargo para ir ao Pan do Chile, porém, já naquela época tínhamos que pagar a passagem e eu disse não.
- Por que nenhuma notícia foi dada até anunciar a desistência (depois voltaram atrás) da participação no Egito?
- Quais critérios foram adotados para selecionar os 13 atletas?
- Por que cobraram R$ 120,00 de cada pessoa sobre a taxa de visto se custou US$ 15,00 (R$ 27,75)? E que tiveram que pagar mais uma vez no aeroporto.
- Por que alguns ganharam as passagens e outros não?
A CDBTKD deve uma explicação, não acham ?
Sabem por que ? Porque quando eu estava aí e acontecia alguma coisa era alvo de críticas e de xingamentos por parte de alguns sites e de mestres e até de “amigos”.....(?)
Acho que muito dinheiro foi gasto e pouco aproveitado.
Espero que o relatório do Mundial seja publicado. Sempre quando eu retornava das competições, sendo Manager, Head of Team ou técnico a CBTKD exigia que eu fizesse relatórios. Pois bem, vamos divulgar para que todas dúvidas sejam tiradas.
Tenho grande admiração e respeito ao Grão-mestre Tong Min Kim. Carismático, humilde e dedicou sua vida à implantação da CBTKD no Brasil. Fui duas vezes convidado para ser seu vice-presidente na chapa para as eleições da CBTKD e talvez, por inexperiência política ou mesmo por ter aquele pensamento de querer os brasileiros no poder da CBTKD eu deixava a resposta para última hora.
Foi na sua gestão que o mestre Marcelino Soares, me convidou para fazer um trabalho que durou até 2010. Vários atletas da seleção júnior fizeram e fazem sucesso na seleção adulta de hoje e apesar, logicamente, de ter tido alguns problemas e sofrer críticas, sei que fizemos um ótimo trabalho.
Ótimo, por que? Dedicamos, investimos os poucos recursos que tínhamos; a comunicação sempre foi sincera e transparente; nos casos em que precisávamos que os atletas desembolsassem as despesas, parcial ou integralmente, sempre divulgávamos antecipadamente, seja a quantia e o motivo, tudo bem claro.
Cuidar de jovens adolescentes é difícil, sem falar nos ataques e calúnias ( que ainda terão de provar, pois providências estão sendo tomadas) de pessoas sem capacidade ou frustradas por não terem conquistado na vida aquilo que você conquistou como atleta e profissional e que hoje estão tentando fazer um trabalho parecido, copiando o que crio e tentando me difamar, perante Diretores de Federações e até da Confederação. Elas fazem de tudo para tentar manchar a sua carreira, inventando histórias e ainda por cima acreditando nelas e alguns ainda se dizem religiosos. Não quero aqui colocar a culpa em um ou outro, pois sei que o problema é bem mais profundo.
Com a dificuldade orçamentária o Grão-mestre Yong Min Kim, sempre demonstrou apoio e preocupação para Seleção Junior e atendeu os meus pedidos dentro do possível.
Na gestão do Grão Mestre Jung Roul Kim tivemos um planejamento, inclusive junto ao Grão Mestre Flávio Bang que me sucedeu na diretoria técnica, tive total liberdade em conduzir e direcionar os investimentos nos atletas que são o futuro do taekwondo do Brasil.
A CBTKD pagou 100% (cem por cento) das despesas para 30 atletas participarem do mundial júnior e seletiva olímpica júnior, incluindo 4 técnicos e 2 dirigentes para ajudar a melhor formação profissional e representatividade no México.
Não é só isso, ainda fizemos um treinamento de 10 dias em Marília e participamos das duas competições. Independentemente dos resultados, acredito que foi muito importante investir nestes atletas. Sim, não alcançamos o que esperávamos e havíamos planejado, porém foi uma conquista pela qual trabalhei, me dediquei e briguei por anos e anos. Uma conquista que acreditei ser o início do apoio e fomento, de essencial necessidade, ao trabalho que desenvolvemos por anos.
Como Coordenador de Junior, tive também o apoio do Grão-mestre Jung Roul Kim.
Enfim, depois de tantos anos e de finalmente conseguir o que queríamos, sofremos um retrocesso que resultou no recente episódio.
Por que em 2012 a Cbtkd não está conseguindo fazer o mesmo?
Como será em 2016?Tem futuros planos visando até 2020?
Quantos desistem e desistirão por serem injustiçados?
Onde estão os critérios e projeções para a Seleção Júnior?
Sacrificar os atletas que tiveram que viajar pelo Brasil inteiro para conseguir a pontuação no ranking e depois ainda participar de uma seletiva (Aracajú). Todos sabemos o quão desgastante foi para cada atleta e para os pais.
CONCLUSÃO
Eu, Fabio Goulart, também cometi e ainda cometo erros. Quando era coordenador, montei critérios que no meio do caminho se mostraram ineficazes para formar uma equipe forte. Porém, reconheci, mudei ajustando os critérios nos anos seguintes e aparecia para ser questionado.
Como praticante de Taekwondo, proprietário de academia e ainda, formador de atletas, gostaria que alguém pelo menos desse algumas explicações sobre a viagem ao Egito.
Após o péssimo resultado no mundial do Egito, como disse, a falta de organização na preparação da equipe júnior, a insegurança e a desconfiança geradas foram fatores que influenciaram diretamente. Tenho aqui que enaltecer o mestre Rodney Saraiva, que é meu amigo e Técnico da cidade de Santos, por ter tido a coragem de ir, mesmo no último instante e ainda levando dois dos seus alunos classificados, pagando a passagem. Eu mesmo fui um dos que disse a ele para não ir que não valeria a pena.
Apesar de todos os problemas que a Cbtkd está enfrentando, o taekwondo do Brasil continua muito forte tecnicamente, com atletas e técnicos competentes e dedicados que procuram fazer seu trabalho da melhor maneira e como podem.
A formação de novos atletas não deve ser esquecida. Vejo poucos profissionais que se empenham em formar novos campeões. Não tiro a razão deste desinteresse, afinal, por que formar alguém que será cortado, ficará frustrado e desistirá do taekwondo? E estão errados? Lógico que não. Eles devem ser valorizados e reconhecidos. Quando me perguntam se os representantes de 2016 ainda estão surgindo, eu respondo que não. Já estão aí. Serão praticamente os mesmos de 2012, com raríssimas exceções, isso se nada for feito. Um novo ciclo olímpico está começando.
Não tenho nenhum interesse político, nenhum interesse em concorrer a alguma posição ou ficar aqui criando inimizades.
Já perdi vários “amigos” no Taekwondo brasileiro, por acharem que o dinheiro e o poder são mais fortes que a honra e a dignidade.
A eles, desejo boa sorte nas suas empreitadas e que Deus os acompanhe sempre.
O Taekwondo me deu tudo na vida, e ainda vai dar mais, mas felizmente não será aqui, no Brasil.
Lógico que irão rebater tudo que eu escrevi aqui, mas saibam que eu não irei me pronunciar mais, a não ser que seja algo que venha a ferir minha honra ou uma calúnia.. mas mesmo assim nada virá mais de mim, e sim do meu advogado..
Quero distância disso tudo, e principalmente daqueles que se intitularam um dia meus “amigos”.
Já pedi desculpas aos coreanos-brasileiros que conduziam o taekwondo do Brasil. Eu era feliz e não sabia.
Fábio Goulart