Se conseguir aproveitar os meses que lhe faltam à frente do governo, o prefeito João Paulo Papa (PMDB) deixará definido a quem o suceder o projeto para a criação de um memorial alusivo a Esmeraldo Tarquínio – único negro eleito à Prefeitura de Santos, em 1968, mas cassado um mês antes da posse pelo regime militar.
Tarquínio representa os efeitos perversos da repressão à Cidade, prejudicada política e economicamente durante a ditadura. Mas encarnou, também, o desejo de liberdade que fez Santos recuperar o direito de eleger seus governantes, em 1984, após um hiato de 15 anos. E, lastimavelmente, após a morte dele, que completará 30 anos em novembro próximo.
É de se celebrar que, depois de tantos anos de um estranho silêncio diante de sua figura, enfim se estejam rememorando Esmeraldo Tarquínio e sua história. Sua sepultura, no Cemitério do Paquetá, não é mais uma campa sem identificação: agora, há um mausoléu sem luxo, mas à altura de alguém cujo exemplo de superação da pobreza e do preconceito dignificaria qualquer município.
O anúncio de Papa sobre o memorial se tornou ainda mais significativo por ter ocorrido durante a entrega da medalha Quintino de Lacerda, no Teatro Guarany, em alusão ao 13 de Maio. Lacerda foi o primeiro vereador negro de Santos e o único com essa característica a ter presidido o Legislativo santista. Trata-se de um lento, porém fundamental, resgate de um passado que ainda deixa marcas.